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Vani, amor e poesia!

"Ai que bom seria se o mundo lesse mais poesia."

Não há mais

Não há mais notícias suas

Apenas suas coisas que ainda ficaram por lá

Dois rádios na cabeceira da cama

Dois crucifixos pendurados no interruptor do banheiro

Fotos suas na estante da sala

Um pouco de você por todas as partes da casa

E ainda parece que você vai entrar pela porta

Trazendo a vasilha com alface pra gente lavar

Reclamar porque esquecemos de pôr a farinha na mesa

Continuar rezando quando todos já estão almoçando

Dizer que a comida está sem sal

Não ouvi mais falarem de ti

Nem que estava bem, nem que esteve mal

Mas quando entrei em casa

Soube que você esteve lá todos os dias

Desde que tive notícias suas

O teu armário ainda está lá

Ainda consigo lembrar do teu perfume

Da voz

Do colo

Ainda sei do que gosta

Ainda acredito em você

Não há mais notícias suas

Mas há muito mais de você lá

Do que achei que poderíamos esquecer

Tem cores

Tem dores

Tem muita… Saudade

 

Problematizar

Tenho problemas com esquerda
E direita
Não dou setas
Não dou golpes
Eu só sei poetizar

Depois te conto Pai

Pai

Eu e o Thiago estamos com planos

Estamos com uns objetivos aí

Sonhos e tal

Pensei em te contar

No Dia dos Pais

No churrasco

Enquanto você abrisse os presentes

Se é que iria abrir

Pai

Queria te falar de algumas coisas que estão acontecendo

Temos que dividir mais informações

Quero que fique feliz junto com a gente

Onde você está Pai?

Não acredito em vida após a morte

Então, não sei onde te procurar

(Nessas horas sinto falta de ter mais crenças -para me explicarem o inexplicável)

Bem, depois te conto então

Essas coisas todas

Por enquanto, apenas: Feliz Dia dos Pais

Como posso não ter você aqui, hein?

Isso não cabe no meu coração

Isso dói

É dor de emoção: é saudade!

Dia dos Pais

O Dia dos Pais está chegando

Já é agora

No próximo domingo

O dia de abraçar o paizão

De dar presente

De dizer “te amo pai”

“Obrigada pai”

Meu pai não abria os presentes dele

Deixava lá por dias

Abria depois

Um dia lá ele abria

Domingo é dia de churrasco

De lembrar da infância

Das coisas que o pai ensinou

Meu pai me ensinou a pescar

Me ensinou a trocar lâmpadas

A pregar, martelar, desentupir pia – mas isso eu não aprendi

Logo chega o Dia dos Pais

Ali ó, domingo

“Hey pai, vem passar o seu dia comigo?”

E se caso não der pra vir

Por causa das distâncias interestelares

Manda só o teu coração?

Obrigada

Em 29

Em 29 anos de existência

Essa foi a única vez que perdi meu pai

E que estou tendo que me acostumar a viver sem ele

Orfã de pai, com quase 30 anos

Não sei como sentir essa saudade

Então sinto-a em silêncio

Lembro de roçar as pontas de suas unhas com meus dedos

Como fiz, na última vez, com ele já no caixão

As mãos coladas não me permitiram entrelaçar os dedos

Só sentir o gelo do corpo sem vida

Lembro de abraçar e dizer “te amo” nas despedidas

E ele me segurar forte e dizer “será?”

O último abraço foi solitário

Os braços imóveis de meu pai não sentiram meu afago

Lembro do quanto ele queria um neto

Para ensinar as coisas que sabia

Para amar incondicionalmente

Como quisera ele ter sido amado por seus pais

Teve que partir sem sentir-se avô

Lembro do quanto quis que ele mudasse

Que fosse mais paciente, menos prepotente

Morreu tentando ser melhor

Ontem senti uma dor forte de saudade

Senti tanta vontade de ir ao encontro dele

Lá, na casa da mãe

Viajar e encontrar os dois

Não para conversar, pois não conversávamos muito

Mas para estar perto – junto

Senti vontade de ter a certeza que ele estaria lá quando eu chegasse

Em 29 anos

Essa foi a primeira vez que percebi

Que nada sei sobre minhas relações pessoais

Que meu pai morreu sem eu dizer uma infinidade de coisas que queria

Sem dar o último abraço

Sem dar o neto

Sem dar mais de mim para melhorar quem ele era

Em 29 anos

Eu nunca senti tanta saudade

Como agora

Meu Pai

Meu pai pensou que era invencível
Meu pai sabia fazer quase tudo
Para ele tudo tinha solução
Meu pai não tinha medo
Enfrentava tudo
Estava sempre a disposição
Do seu jeito, meio ogro
Mas lá no fundo tinha um grande e doce coração
Meu pai tocava gaita
Meu pai gostava de vinho e de chimarrão
Meu pai não media as palavras
Meu pai era meio triste
Foi rejeitado, não sei porque
Sempre sentiu-se um pouco de lado
E ao mesmo tempo
Sempre esteve do nosso lado
Meu pai não tinha preguiça
Meu pai adorava remédios
Meu pai torcia para o melhor time do mundo
Não sei para onde ele foi
Não sei como me sinto agora
Só sei que meu pai
Pensava que era um herói
Que não iria partir logo
Não sei como ele está
Nem como nós estamos
Meu pai foi um bom pai
Apesar de tudo
E é por tudo isso
Que já estou com muita saudade

Triste dia 17/06/2016

Franjinha

Ela tem uma franjinha

Tão retinha

Ela é uma Franjinha

Toda tortinha

E por ser torta

Me fez amar a escuridão do seu cabelo

O fez zelo

Uma menina, uma mulher

Estrela que brilha escura

Candura

Beleza extrema

Voz doçura

Ela é louca, ela é grito

Ela é bruxa, ventania

É tempestade

Ela é clarão

Uma franjinha bem cortada

Coturno, camisa de brechó

A minha amiga

É o ó

Giovana

Uma pequena grande estrela

Iluminando um grande pequeno mundo

O nosso

Desabrochando os sorrisos mais serenos

Encantando apenas por pertencer

 

Uma pequena flor crescendo

Para embelezar ainda mais os dias

A Giovana nem sabe

Mas ela não foi planejada

E nem imagina

O quanto foi esperada

Giovana mana

Giovana chama

Giovana brinca

Giovana, fica

 

Essa menina

Que adentrou no meu coração sem eu saber

Essa pequena semente

Que nasceu e cresce cheia de carinho aqui dentro

 

E que bom poder fazer parte

Que bom compartilhar sua vida pequena

Você é a prova de que sempre

Apesar de tudo e de qualquer coisa

O que vale mesmo a pena

É amar e amar e amar

 

Eu sou

Eu sou poesia

Sou decalque que não decalca

Poema sem sentido

Sou gemido

Tatuagem dolorida

Sou contida

Declamo poesias sangrando

Sou tango

Ouço poesia e dor

Sou clamor

Eu sou sim

Poesia

Mas isso

Lá no fundo

Me judia

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